Uma das maiores marcas dos tempos atuais, já dizia Zygmunt Bauman, é a liquidez das relações humanas. Nada é permanente, ou sequer duradouro. Tudo passa, ligeiro, assim como uma nuvem que passeia pelo céu e em questão de segundos não está mais ali.
O grande problema disso tudo é: essa liquidez tem gerado problemas cada vez maiores na vida cotidiana, quase como um buraco negro que te suga e você fica ali, imerso, caindo no infinito. Se você discutiu com uma pessoa em uma rede social, você a bloqueia. Se desentendeu com uma pessoa próxima, você para de falar com ela(o) por semanas, meses, anos, uma vida inteira... os princípios da lealdade, do amor, da fidelidade, estão todos rompidos por uma cultura do momento. Viver o momento parece ser muito importante para quase todos. Troca-se um casamento de anos por um pequeno momento com uma pessoa passageira, troca-se o amor dos filhos por um emprego que renderá dinheiro por alguns anos. A todo instante somos incentivados, seja pelas redes sociais, seja por "palpites" de conhecidos, que deve-se buscar a felicidade, o sentido da vida. Mas, o questionamento que fica é: Para ser feliz, deve-se romper com tudo que é duradouro? Será que é possível ser feliz sendo casado, com filhos, com esposa, com marido, com pai e mãe, com tios e tias "chatos", com a vizinha que as vezes quer um pouco do seu tempo pra contar uma fofoca, com aquele amigo que está passando por um momento difícil e quer desabafar?
Bem, pessoalmente acredito que qualquer tipo de coisa duradoura pode ajudar na minha formação, ao longo de toda minha existência. Pode me ensinar o valor do amor, da amizade, da lealdade, da compreensão. Sim, a liquidez nos faz perder o dom de ser mais humanos, mais reais, e troca a vida real por uma vida de contos de fada, onde o personagem vive apenas de bons momentos.